sexta-feira, 27 de agosto de 2010

...Humanos...





Ser humano é ser frágil. É, por vezes, quebrar-se em seus erros...
Ajuntar os pedaços,
Os cacos espalhados ao chão,
E colocá-los de volta,
Com maestria e muita atenção...
Realinhálos em seu devido lugar.


Já são tantos anos caminhando comigo mesmo, mas ainda, dentro de mim, é quase palpável o sentimento de desconhecimento...
Estou sempre tendo de aprender a viver comigo mesmo,
Comigo, quando as coisas vão bem, quando estou feliz, quando tudo tem brilho, um cheiro diferente...
Comigo, quando sou surpreendido, quando o não esperado me alcança...
Comigo, quando tudo é apenas ausência, ausência de expressões, de sensibilidade...
Comigo, quando as coisas não vão bem, quando eu tenho tudo e nada ao mesmo tempo, quando existe um mundo à minha frente, mas aqui dentro do peito há um grande e imenso nada...
As vezes damos tudo por um nada...
As vezes damos tudo e não ganhamos nada, falo de coisas completamente diferentes, procure entender...


Caminhamos...
Caminhamos...
E caminhamos...Pra percebermos em fim que, chegamos em qualquer lugar...
E ainda, por vezes, descobrimos que estamos perdidos, quando nós demos cada passo que ficou para trás, como é que caminhamos sem saber pra onde os pés estão se dirigindo?
Engraçado que tudo isso é pra ser belo...
Essa imperfeição toda é pra despertar paixão...
Esse "sei lá o que" todo é alvo de infinito amor, que simplesmente vem e alcança, avança sobre nós...
Nobre de mais em nos querer, e humilde o suficiente para lidar conosco como somos, se permitindo viver os nossos fracassos...


Sim, ser humano é fracassar...
Falhar, se quebrar, colar e quebrar de novo...
E ainda assim ser amado, sem saber como, sem restar uma palavra, uma explicação, um parecer, sem definição.

domingo, 15 de agosto de 2010

...Gaga e a minha geração...

“...enquanto esmurramos o ar, amarramos espíritos e enaltecemos nossa espiritualidade; Fora de nossas quatro paredes, bem distante de nossa zona de conforto o mundo ganha a Vida real...”






Num passado não mui distante a mulher começou a guerrear em prol de reconhecimento e liberdade, vieram revoluções feministas na indústria, a inserção no meio político, conquistas sociais e força em expressão artística... A mulher conquistou, conquistou e conquistou mais uma vez, fazendo frente junto ao homem. Por outro lado, atualmente vivemos o constante diálogo da feminilização masculina, ou seja, homens amáveis, que saibam conduzir um lar e que se preocupam com a estética, mas em meio a tanta evolução no concernente a igualdade social, permeia-se a inversão de papéis do ser homem e ser mulher.



A geração 2.000 discute o direito de o homem buscar sua feminilidade sem perder sua essência máscula, já que a mulher conseguiu esta façanha, quando resolveu abandonar o fogão para, muitas vezes, se tornar a provedora de um lar. Entretanto esta mesma geração não está preparada para o equilíbrio que é adequado para tudo isso que está por vir, pois a busca pela igualdade tem trazido como fator resultante a libertinagem e o altruísmo demasiado, pregando que se pode ser tudo o que se desejar, mesmo que isso venha desafiar a natureza.



Em Gaga se percebe esta voz quando se pára para ouvir e ler o protesto que é Alejandro. Música de letra simplória em primeira vista, mas profunda quando proclama: Don’t call my name, don’t call my name, Alejandro. I’m not your baby, I’m not you baby, Fernando já que música não é apenas letra e sim fonética também, o que revela que a voz pesada tenta dizer por esta frase é o seguinte: “I want your baby, I want your baby, Fernando mudando totalmente o sentido da canção.



Alejandro sombreia um relacionamento entre homens, onde, partindo da fonética da frase citada à cima, Gaga tem o desejo de penetrar nesta relação, formando um triângulo amoroso de forma a trazer à tona a naturalidade da homossexualidade, já que a mesma em outro momento veio afirmar que a canção é um tributo-homenagem aos gays de todo o mundo.



...O Curta-metragem...



Steven Klein, produtor e diretor do vídeo, pesou bastante no sombrio, dando uma leve pitada do introspectivo, ao gótico, mas também trouxe de início esta coisa masculina que a falta de cores caracteriza. De início, logo na introdução, se é visto alguns soldados dormindo, onde de um lado estão uns de pernas cruzadas, calcinha e meia arrastão, e, do outro aqueles que estão vestidos de farda, ambos um de frente para o outro, descansando em um sono profundo, mas apenas um esta a par do que é a realidade ao seu redor, ou seja, são poucos aqueles que conseguem entender o que está acontecendo, de um lado soldados que são soldados, de outro, soldados que apesar de soldados carregam traços femininos em si.



A 2° fase traz uma marcha firme, militares preparados pra guerra, viris, impondo-se violentamente, e posteriormente até lutam entre si, subjulgando os mais fracos, entretanto, lá do alto, onde ninguém vê está Gaga, assistindo a esta guerra, soberana em um trono, empenhada de um cachimbo nas mãos, munida, portanto, de autoridade, já que o instrumento em questão faz alusão a grandes personalidades masculinas (como por ex: Einsteis e o cachimbo).





Nas cenas a seguir Lady Gaga alcança seu objetivo, o de mostrar que, os mesmos seres fortes, másculos e viris de outrora, agora, na cama, se tornaram seres passivos, sendo dominados pela mesma. A simetria na semelhança dos homens para com ela é gritante, pois além de estarem de salto e vestidos de calcinha, usam o cabelo com o mesmo corte que o dela, e como se não fosse bastante, todos são homens de corpo sem pêlos, com exceção a um que usa barba.



Na cama eles são dominados por ela, que assume o papel de homem na coreografia, enquanto eles esbanjam prazer na troca de posições, algo característico da relação homossexual, pois todos são dominadores e dominados, ela os puxa, os conduz, os direciona, está sempre em frente, avante, mostrando o caminho.



Posteriormente Gaga se vê deitada em uma cama, com vestes religiosas, escoltada por um soldado, que está ali como que a guardando do mal, e num lance chocante ela engole o terço que carrega nas mãos, protestando contra a fé, contra os princípios bíblicos, que estão ai para “sufocar” a natureza humana, ou ainda também pode-se entender, que neste século, mais dias ou menos a religião será engolida, e seus “tabus” não se sustentaram. Seu figurino neste momento diz muito também, através das cruzes inversas, nos lugares impróprios e até mesmo no olhar com uma única vertente, interpretado pela cantora, quando ela tapa um dos olhos, já que o evangelho é contra-cultura.



No calor desta história o momento da passarela é chegado, onde em meio a fleches vemos Gaga super feminina dançando, enquanto seus soldados passam por ela, com carões e postura de modelos, igualando-os há um mesmo nível, onde eles são exemplo, já que o que se passa na passarela é moda, é um exemplo a ser seguido. E refutando tudo isso, na próxima vez que todos dançam o coro, Gaga está armada com o sutiã, rodeada por seus soldados afeminados, no centro, envolvida neste movimento a favor da igualdade ou troca de papéis.



O penúltimo número mostra Lady Gaga, em meio aos seus dançarinos, com muita violência, seguida pela cena do mesmo soldado do início, o único que enxergava as coisas, com olhar de reprovação, o cerco é armado e a guerra nas ruas é travada, de um lado os conservadores, religiosos, homofóbicos e de outro o novo conceito de homem e mulher, neste embate, então aparece a função da música, quando ela está de jaqueta em um mini palco improvisado, à frente da cruz, essa “coisa retrógrada” que só assisti ao espetáculo.



Mas no desfecho de tudo Gaga é jogada entre seus dançarinos, violentada, como que sendo reprovada, até o momento em que ela se despe das vestes de religião, se põe nua livre da promoção preconceituosa da religião, e em fim, a Lady Gaga religiosa é dilacerada, queimada passivamente, de dentro para fora.



...Considerações...


Mediante a tanto fica muito claro um dos gritos desta geração pós-moderna, motivação com bases na bondade e igualdade, entretanto desiquilibradamente tendenciosa, isso é o novo, engolindo os fundamentos antigos, a vontade de fazer o certo, da maneira equivocada. A sociedade está mui ciente disto, logo no inicio do clip, Alejandro está sendo levado ao túmulo, entre tanto, seu coração, vivo, é carregado por Gaga, já que os ideais de um ser jamais irão para o túmulo com ele, pois eles se perpetuam.





E dentre tantos sutis sinais, também vemos Gaga pedindo para que Alejandro a deixe ir, a deixe ser livre, que dentre tantas interpretações, de algum modo pode-se ler, mesmo que julgado tendenciosamente, um pedido de liberdade, liberdade desta relação confusa e dolorosa, e talvez, a cantora não quisesse exprimir tanto, mas sabe-se que há uma expressão de socorro, uma expressão a ser ouvida e considerada.



Em fim, definitivamente neste parágrafo deixo palavras minhas, o intuito deste polêmico post, não é que você se levante contra pessoas, mas que pense no que já foi feito a respeito disso, se já foi feito, e, se realmente tem de ser feito. Toda atitude pode ser tomada de forma certa ou errônea, não vá se precipitar! Quero dizer que justamente por tudo que já foi refletido até aqui, o trabalho de Gaga é admirável (não digo seu conteúdo), é algo pensado, inteligente, gritando pra você que está ai do outro lado inerte, leigo, que não consegue ouvir, ninguém pode dizer que esta geração não está falando, o negócio é que não se consegue ouvir... A Igreja precisa mais do Pai do que se imagina, justamente para penetrar em amor, e responder em verdade e fé a tudo isso... E lembre-se, é justamente por isso que a palavra diz que a criação geme...


Abraço.